"Tomei uma decisão. Uma decisão, talvez, um pouco complicada. Irei esquece-lo, tirá-lo da minha mente. Privar-me dele. Irei queimar, eu própria, todas as recordações concretas que tiver dele. Irei deletar tudo o que tenho dele e o que me faz recordá-lo. As músicas que me fazem lembrá-lo, vou ouvi-las até me cansar e quando isso acontecer, vou-me mentalizar que aquelas músicas são apenas músicas e que nada me dizem.
O meu pensamento vai parar de corresponder sítios, risos e sons a ele. Depois é só certificar-me que ele é, nada mais nada menos, que se não passado.
É dificil, mas para isso é que serve o tempo. E o tempo é o que a própria palavra indica, é tempo. Temos que ter tempo para nós, para quem nos ama e, sobretudo, para sermos felizes.
O tempo é tempo para nós esquecermos o que já julgavamos esquecido, é o que nos dá tempo para a nossa pele receber sol, para a nossa vida receber cor e para nós ganharmos capacidade de compreender que não pudemos deixar de ser felizes porque alguém nos priva disso, alguém que nós amamos e que nunca nos amou, mesmo quando dizem que sim.
O tempo é a chave principal para nós termos a vida que merecemos, para pensarmos que somos felizes.
Se eu acho que vou conseguir? Eu não acho que vou conseguir, eu vou conseguir. Pela primeira vez na vida tenho que acreditar em mim e mentalizar-me que sou feliz. Não vou deixar de julgar-me como sempre me julguei, porque sou uma pessoa carregada de defeitos, mas quem não o é? Até a pessoa que nós pensamos ser perfeita e dizemos que o é, tem defeitos. E uma pessoa só é perfeita, quando é imperfeita. Quando é uma pessoa de verdade. Quando é alguém.
É por isso que continuarei a apontar o dedo a mim própria e nunca tentarei mudar qualquer coisa em mim. Porque o que eu sou, sempre o fui e sempre o serei e nunca irá mudar por mais que eu queira. Qualquer coisa que eu queria mudar em mim, só vai resultar em que, essa coisa, se fortaleça ainda mais. Que fique mais forte.
Portanto, vou esquecê-lo e vou esquecer tudo o que ele me fez passar. Vou esquecer todas as sensações que ele me transmitiu e que fez com que se sentisse no ar. Irei sobreviver sem isso. A minha mente irá, finalmente, ficar solteira. O meu coração irá pertencer ao presente e eu irei prender-me ao meu caminho.
Nestes tempos próximos e nos que vierem serei apenas eu. Irei ser apenas eu, como sempre fui, mas sem ele. Sem ele na minha mente a qualquer movimento feito ou por fazer. Fará parte do passado e eu farei parte do presente e viverei cada momento livremente, calmamente e à minha maneira. Como já disse, irei sobreviver.
Porque se eu não sobrevivesse, era um bocado paranóico. Afinal ele fez parte de uma fase da minha vida em que eu estou a fazer questão de pôr de lado. Não irei negar que me fez bem nessa fase, mas também não irei negar que já está na altura de esquecer tudo isto.
Se, alguma vez, ele me perguntar porque decidi colocar tudo de lado eu irei responder que resolvi pôr tudo de lado porque estava farta de me prender a algo que, talvez, nunca me mereceu. Nunca mereceu cada lágrima, sorriso e batimento cardíaco que depositei só a pensar nele. Resolvi colocar tudo de lado porque estava farta de não ser eu, de não ser livre em pensamentos e em acções.
E agora auf wiedersehen, goodbye, addio, adiós, la revedere, au revoir, adeus que vou içar a ancora do meu barco e seguir o meu rumo."
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